



Foram construídos banhos públicos em quase todas as cidades romanas, e a maioria dos cidadãos ricos tinham o seu próprio banho privado. Originalmente, os banhos romanos eram com água fria e pequenas piscinas para nadar. A influência grega converteu-se também ao uso do banho a vapor, com a finalidade de abrir os poros da pele e induzir a transpiração. É provável que, no começo, o banho fosse usado para limpar a pele, mas os benefícios medicinais dos diferentes tipos de água, do vapor e da transpiração transformaram toda a atividade em algo prazeroso e curativo.
Toda a tecnologia e a capacidade artística dos romanos aparecem nas construções dos banhos. A engenharia romana inventou o "hipocausto", um sistema que envolvia um pavimento construído sobre câmaras de gás que esquentavam os cômodos por meio do assoalho. Os artistas criaram belos mosaicos, pinturas murais e enchiam os cômodos de estatuetas e fontes.
Uma casa de banhos romana era constituída por várias salas, que a pessoa percorria uma a uma. A primeira se chamava "frigidarium", por ser uma sala fria sem aquecimento, na qual a pessoa se trocava e se refrescava com um banho inicial frio de chuveiro ou banheira. Depois, passava para a "tepidarium", a sala quente, que era a primeira a receber um certo calor do hipocausto por baixo do piso. Aqui, esfregavam óleos na pele do indivíduo para dar início ao processo de abertura dos poros. Logo que a aclimatação começava, passava-se para o "caldarium", a sala em que o ar já estava quente e úmido em função de um tanque de vapor ligado ao hipocausto. Na verdade, essa sala era tão quente que não se podia tocar o chão, e a pessoa era obrigada a usar sandálias de madeiras bem grossas.
No "caldarium", podia-se lavar o rosto no "labnum" central de água fria, uma bacia que ficava sobre um pedestal e depois recostava-se nos bancos e camas, para transpirar e eliminar as toxinas. Depois dessas etapas, passava-se para a sala super quente, o "loconicum", antes de voltar ao "frigidarium" para outro banho frio e secagem.
Na Europa, somente no século XVII o banho se tornou definitivamente restabelecido. Mesmo assim foram necessários mais de 200 anos para convencer os europeus de que era algo saudável.

Neste século, também foram introduzidas as "casas de sauna". Havia "banhos turcos" públicos, descendentes do "caldarium" romano que os turcos haviam adotado e modificado. Bem como os banhos aromáticos foram populares nesse período. A grande peste ainda estava fresca na memória das pessoas e estas começavam a avaliar a importância da higiene. Ao mesmo tempo, os perfumes estavam cada vez mais sendo usados. Seu valor anti-séptico estava sendo reconhecido mais claramente do que hoje se faz, e um banho perfumado era mais agradável e mais higiênico do que um sem perfume.
O banho no Japão é um ritual cotidiano. Todas as casas têm uma sala de banhos, onde se realiza a limpeza da pele antes da imersão, uma área espaçosa com banquetas, bacias e canecas, esponjas e chuveiro manual ou uma torneira que fornece água corrente. Só se entra na banheira depois de o corpo estar completamente limpo. A água pode ser apenas pura e quente, mas uma tradição centenária sugere acrescentar-se nelas algumas substâncias medicinais, embelezadoras, aromatizantes, revigorantes, purificantes, simbólicas ou simplesmente mágicas. Colocam-se flores como íris, rosa e crisântemo; folhas de "daikon", cenoura, cereja e pêssego; frutas, como cidrão, tangerina e laranja; raízes de lótus, gengibre e íris; produtos de arroz, como saquê, vinagre e farelo e toda a enorme variedade de algas. Os puristas plantam, colhem e secam suas próprias folhas e raízes.
Fonte: Silvia Segantini - Aromaterapeuta do Kan Tui